Mostrar mensagens com a etiqueta Alcácer. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alcácer. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, junho 18, 2009

Alcácer do Sal na segunda metade do século XII


http://www.cm-alcacerdosal.pt/PT/Actualidade/Publicacoes/Paginas/EstudosdoGabinetedeArqueologia.aspx

domingo, outubro 05, 2008

Aspectos do Quotidiano em Alcácer, em Contexto Islâmico

Jovens jogando Xadrez, segundo iluminura do século XIII.
(Cantigas de Santa Maria, Afonso X de Castela).

O Lazer no al-Andalus, em contexto Islâmico




(Versão on-line do artigo publicado no Boletim da ADPA, Neptuno Nº 13, 2008, p. 5-7.)

_____________________________________
1. Introdução

A quase totalidade da investigação referente a Alcácer, tem preveligiado a componente militar, especialmente na sua fase final, culminando na conquista de 1217.
Fica-se com a ideia de que os alcacerenses muçulmanos, nasciam, cresciam e morriam em “stress de guerra”
[2].
Quando começamos num outro patamar de investigação, a ler e analisar a documentação em lingua árabe, deparamo-nos com expressões do tipo:

- Ḍaw´al-ṣabāḥ (luz da manhã); Gāyat al-munà e Muntahà l-munà (objecto dos desejos); Riyāḍ al-ḥusn (jardins das formosas); Sirr al-ḥusn (segredo da formesura); Uns al-qulūb (casa dos corações) e Zahr al-riyāḍ (flor dos jardins).

Esta linguagem não é compatível numa sociedade, que só pensa na “Guerra Santa”.
Na realidade, exitiam relações humanas bastante complexas, desejos, ódios e mais realidade para além do conflito; - quando era possível, os contactos comerciais e as alianças politicas entre os beligerantes, eram retomados. Tambem ocorreram alguns casamentos entre beligerantes
[3].
Por outro lado, estamos perante uma estrutura civilizacional muito rica, que é sensivel à beleza do mundo e das mulheres;- que bebeu muito da sua matriz, nos “rituais de corte” das civilizações orientais, desde o Egipto até à Persia.
Talvez um reflexo desta realidade, prendem-se com o facto de existirem as “Lendas das Mouras Encantadas”, que povoam o imaginário mítico do nosso país a sul do Tejo
[4]. Basta pensar na Lenda da Almina de Alcácer.
Depois de toda esta problemática exposta, será que é possível levantar o véu, “das intimidades”, que terão existido em Alcácer, no final do periodo islâmico ?
[5]



2. “Anatomia” de uma medina: O caso de al-Qasr.

Antes de mais, é importante começar a entender que tipo de cidade terá sido Alcácer em contexto islâmico e termos sempre presente, que as posturas por ela assumidas, foram diferentes ao longo dos séculos.
Em suma, o tipo de quotidiano, as relações humanas e o desenvolvimento cultural vividos em al-Qasr, são reflexos do enquadramento desta medina no âmbito geral do Andalus.
Alcácer assume-se nas fontes desde o século IX, como uma “pequena e bonita cidade”, banhada pelo rio, sendo classificada de base base militar, voltada para a defesa da costa e comercio oceânico.
Em contexto califal é eleita como a unica base naval do “Estado Omieda” no Atlântico
[6].
O que importa realçar neste diagnóstico, é que Alcácer, desde finais do século IX, após a instalação dos Banu Danis, possui nas fontes muçulmanas medievais, o estatuto de cidade (portuária
[7]).
Esta questão de base é importante, porque em termos de hieraquia de “estruturas de povoamento”, Alcácer encontra-se quase no topo
[8], implicando responsabilidades acrescidas que tiveram expressão no seu espaço regional.
Utilizando como bases de análise as actuais unidades administrativas portuguesas a sul do rio Tejo e excluindo o Algarve, só terão existido três cidades em contexto islâmico (Beja, Évora e Alcácer). Elvas só surge mais tarde, mas sempre na sombra de Badajoz.
Alcácer terá rivaliza com o porto de Lisboa no seu espaço regional, abastecendo e servindo de “porta oceânica” às cidades interiores de Beja e Évora
[9].
Torna-se-à em determinadas fases, sede de “Reino Taifa”, demonstrando o poder das suas elites locais e a sua autonomia, em termos económicos e culturais.
No âmbito populacional (tendo como base de análise a “Fase Pós-Califal”), a população alcacerense muçulmana seria constituida essencialmente por Berberes
[10], Al-Mawali[11], Arabes[12] e em menor número por Moçárabes[13]. Desconhecemos a existência de Judeus em al-Qasr, mas não podemos pôr de lado a sua presença na medina [14].
Se é claro que Alcácer, é a unica cidade entre Lisboa e Silves, como porto de comercio de longo curso e eixo comercial, será sempre um polo de atracção de pessoas e de “investimento estatal” ao longo dos séculos.
Esta questão leva-nos naturalmente a outra:
- Apesar de existirem escassas referências documentais em relação a Alcácer, em termos de análise históriográfica, é possível desenhar um quadro de comportamentos e diagnósticos de actuação, tendo como base os exemplos que conhecemos para as outras cidades do Andalus
[15].


3. O Matrimónio

No Andalus, nasciam-se raramente fora do casamento.
O que vai ser preveligiado neste estudo, serão os nascimentos ocorridos em contexto matrimonial
[16].
Por outro lado, vamos preveligiar nesta analise, um olhar mais atento em relação à componente feminina do casal.
Como era encarada a mulher alcacerense, em contexto islâmico?
- Seguia-se a norma geral andalusa, de ela ser considerada “sagrada” e “intocável”.
Mas por questões de ordem histórica, ela sentia o pavor de um dia, poder ficar refêm de forças cristãs.
A sociedade muçulmana tentava por todos os meio evitar esse estado de coisas.
Pagavam-se resgates e muitos conflitos foram travados, para resgatar mulheres cativas.
O livro Ajbar Maymu´a, conta que o dirigente andalus Al-Rabadi encabeçou pessoalmente um incursão em território cristão, para salvar uma mulher
[17].
Segundo Ibn Sahil, são necesárias três condições para o matrimónio: - O tutor
[18], o dote[19] e duas testemunhas.
Para evitar conflitos desnecessários em relação ao dote, um dos costume vigentes, era a familia da jovem ficar encarregue de preparar o “enchoval da noiva”
[20].
A preparação da noiva para a boda recebia o nome de Sura
[21]. O seu noivo tinha que lhe oferecer vários presentes, consuante o seu nível económico.
No contrato matrimonial figurava o nahla. Corresponde a uma oferta da familia para os noivos, que poderia ser em dinheiro ou incluir uma casa.
Para a cerimónia ter efeitos legais; - as jovens tinha que ter a idade mínima, era necessário a presença do tutor e a aprovação de ambos os noivos.
Para o homem poder tornar-se noivo, tinha que provar que tinha capacidade económica para manter a esposa e dar-lhe uma vida estável.
Depois de ter sido aceite o acordo matrimonial, a data da boda era escolhida por ambas as familias.
Era dado uma semana de intervalo até à data da cerimónia. Entretanto a noiva ia-se embelezando e recebia as amigas.
No dia da boda, a noiva saia, seguida geralmente por burros carregados com o seu enxoval ao encontro do noivo.
Os festejos eram acompanhados por musica e nessa celebração, os homens e mulheres podiam conviver mutuamente.




4. O Papel da Mulher dentro da Esfera Familiar.

Podemos considerar a mulher como o nucleo principal na estrutura social Andalusa
[22], apesar de ela viver numa sociedade profundamente patriarcal. [23]
O seu papel como formadora, educadora e transmissora de cultura e dos valores é inquestionável. É ela que se encarrega de ensinar em casa os rudimentos da leitura e da escrita às crianças, especialmente às raparigas.
Segundo a sociedade islâmica, a obrigação mais importante da mulher, sobrepondo-se ao conjugal, é cuidar dos seus filhos, porque a maternidade possui um valor religioso.
Mesmo repudiada pelo marido ou viuva, a mãe conserva a custódia dos seus filhos, até à puberdade no caso de um filho ou até ao casamento de um filho, no caso de ser uma filha.
Al-Maqqari dá a conhecer uma reflexão em árabe, cujo sentido aproximado é este: “ - A mulher é a fonte dos filhos, é ela a flor do paraíso e a paz de um coração cansado de pensar”.
[24]
Ao casar-se a mulher fica com três obrigações : para com o marido, os seus filhos e com a casa.
Mas ela recusava um papel meramente passivo.
Sempre que podia, assumia um conjunto de trabalhos que resultavam em algum benefício económico, nomeadamente (com base em Ibn Hazm, século X e outros autores):
- Existiam mulheres curandeiras, parteiras, médicas, amas de leite, aplicadoras de ventosas, vendedoras ambulantes, cantoras, mestras de canto, fiadoras, tecelãs, escritoras
[25], as que escreviam cartas de encomenda, etc.
No caso das fiadoras, os intermediários homens para a venda, eram obrigados a cumprir um conjunto de deveres morais, como a piedade e a virtude.
Uma das profissões especializadas da mulher relacionava-se com o perto. A qabila ou parteira, não se limitava a assistir ao parto. Os seus serviços eram solicitados em casos de litigios de partilhas, quando tinha que testemulhar se seterminada mulher estaria grávida ou se um bebé teria morrido ao nascer.
As amas de Leite eram contratadas quando uma jovem mãe estava doente ou não tinha leite. Tratava-se de uma das profissões femininas mais conceituadas em contexto andalus. Para alem de amamentar o bebé, tinha que o manter limpo e lavar as suas roupas. Este trabalho tinha implicações legais para o resto da vida. Por exemplo, o matrimonio entre um homem e uma mulher de familias diferentes, mas amamentados pela mesma ama de leite, estão legalmente proibidos de casar entre si. Essa proibição era extendida entre o rapaz amamentado e a sua ama, incluindo os parentes directos de esta. Porque ao ser amamentado, o bebé ficava com laços de parentesco de leite com a sua ama.
Apesar de existir uma imagem feita, de que o homem muçulmano podia casar legalmente com várias mulheres, na realidade isso fazia parte de uma minoria da população.
A maior parte das familias muçulmanas viviam com dificuldades económicas, por isso o tipo de casamento comum, seria a monogamia e a ausência de escravos.
Um bom exemplo desta situação, é analisarmos a gestão do espaço habitado em Alcácer, identificado para o contexto islâmico na área do “Forum Romano”, onde o que salta à vista, é a grande compartimentação do espaço edificado.
E a mulher muçulmana, seria bonita ou pouco atraente segundo os padrões da época?
Segundo as fontes, as andalusas destacavam-se pela sua belesa. Segundo Ibn Al-Jatib (Contexto Nazari):” As mulheres de Granada são belas, não muito altas. Têm boas qualidades e virtudes...”
Em jeito de conclusão e tomando como base o estudo de Mesned Alesa:
[26]
- Em termos gerais, as mulheres no Al-Andalus tinham maior esfera de acção que as mulheres do resto do mundo islâmico. Como afirmou Henri Teres, a mulher andalusa não era prisioneira das leis e costumes islâmicos como as demais mulheres musulmanas.Muitas lutarem, outras foram duramente criticadas, mas actuaram sempre segundo a sua consciência.

_____________________________________
[1] Para simplificar o texto, optamos por não utilizar qualquer critário na transliteração dos nomes e palavras árabes. (tirando casos pontuais)
[2] Infelismente isso era uma realidade, tanto de muçulmanos como de cristãos
[3] Caso da mulher islâmica em território cristão e mulher cristã em território islâmico. Ao homem, não lhe era permitido tão facilmente em território exógeno, arranjar noiva. Se ele fosse cristão em território regido pela Lei Islâmica, só poderia casar com uma mulher islâmica, convertendo-se em muçulmano. Caso contrário, tentava raptar a escolhida, mas pouco depois já sabia que teria um exército muçulmanos atrás dele!
[4] Em termos de discurso históriográfico oficial, o que insentivou a conquista a sul do tejo foi a recuperação do território cristão que foi usurpado pelos muçulmanos. As lendas da Mouras, numa análise mais psicológica, dão nos pistas interessantes, sugerindo que os cavaleiros cristão não ficaram indiferentes às beldades muçulmanas que iam encontrado, conquista atrás de conquista. Os dramas e as privações relatados nalgumas lendas, são reflexos rígidos dos códigos sociais da época, porque a mulher muçulmana é considerada um “território sagrado” e como tal só pode casar com um muçulmano. Mesmo refêm dos cristão esta norma prevalece. Se a mulher for desonrada, só lhe resta o suicidio ou então converter-se em cristã.
[5] Fica o desafio. Neste trabalho iremos aflorar a questão do nascimento. Noutros falaremos de outras questões, tentando “fugir” da resenha histórica e começar a entrar no “quotidiano” de quem à séculos viveu nesta terra.
[6] A seguir a Sevilha. Na prática terá competências superiores em relação a Silves, enquanto Lisboa comporta-se como porto oceânico, destituido de “competências militares”, visto estas estarem sediadas em Alcácer.
[7] Alguns autores chegam ao pormenor de referir a existência de marés (muito importante para a navegação) e da existência de uma construção naval que alimentava um activo comercio fluvial e oceânico.
[8] No topo temos as Medinas (cidades), depois os Hisn-Medinas (Castelos que teriam uma função de quase cidade); logo depois seguem os hisn (castelos), as alcarias (aldeias) e por fim as torres e os casais agrículas.
[9] Na realidade comporta-se como o “porto” dessas duas medinas.
[10] A componente berber sempre foi muito importante em Alcácer (pelo menos em termos de elites). Desde os Banu Danis (Masmudas) e até à anexação deste território no califado Almoada (também ele de matriz Masmuda), Alcácer comporta-se culturalmente como um espaço de essencia berbere “Masmuda”, que vai ter outras implicações (em termos politicos e sociais), que serão abordados noutros trabalhos.
[11] No plural Al-Mawla. Segundo Ibn al-Qutiya “ É o seguidor ou o aliado que pede pertencer a uma determinada tribo, a qual satisfará o seu pedido”. (na sua maioria seriam muçulmanos e não árabes)
[12] Teriam pouca expressão em Alcácer.
[13] População autóctene, que lentamente se torna muçulmana. Os arabes chamavam-lhe de al-musalima. Os que se mantinham cristãos, recebiam o nome de al-a´yam.Terão sido a maioria da população, numa fase inicial.
[14] As comunidades judaicas identificadas no Andalus, coincidem com importantes cidades portuárias, sedes de Reinos de Taifa e polos económicos e culturais, como por exemplo; - Cordova, Toledo, Sevilha, Granada, Zaragosa e Málaga.
[15] É nesta perpectiva que devem ser encarados estes contributos.
[16] Em Alcácer, segundo os dados fornecidos pela arqueológia, (pelo menos dentro de muralhas) os escravos terão sido pouco numerosos. A unica excepção diz respeito ao espaço ocupado pela alcáçova/espaço palatino da medina.
[17] Anónimo, Ajbar maymu´a, Crónica anónima del siglo XI, Trad. Emilio Lafuente y Alcántara, Madrid, 1867, p. 129; Ibn Idari, Ahmad Ibn Muhammad, Al-fayan al-mugrib fi ajbar al-andalus wa-l-magrib, Vol. 2, Dar al-taqafa, Beirut, 1960, p. 72.
[18] Para pedir a mão da noiva, depois de esta ter sido escolhida. No caso dos filhos, eram as suas mães que escolhiam a candidata. (Ibn Sahil, ´Isa, Al-ahkam al-Kubra, Ed. 2, Amman, 1987, p. 79.)
[19] Este era um dos assuntos a discutir antes do casamento. Não era estabelecido um limite, contudo o minimo estava fixado entre um quarto de dinar e três dirhams. O noivo tinha que pagá-lo antes do casamento, pelo menos uma parte.(Ibn Sahil, ´Isa, Al-ahkam al-Kubra, Ed. 2, Amman, 1987, p. 74.)
[20] Este por vezes constituia um problema para o pai da noiva, sendo comum ficar endividado.
[21] Quer dizer beleza.
[22] Mesned Alesa, M. S. (2007). El Estatus de la Mujer en la Sociedad Árabo-Islamica Medieval entre Oriente y Occidente. Tese Doctoral (policopiado), p. 213.
[23] Ibn ´Abbud, Ahmad, Al-Tarij Al-Siyasi wa-llytima´I li Isbiliya fi ´ahd al-tawa´if, Matabi. Al-sawayj, Tetuan, 1983, p. 192.
[24] Al-Maqqari, Sahab Al-Din Ahmad, Nafh Al-tib, Vol. 6, Dar Sadir, Beirut, 1968, p. 439.
[25] As escritoras (Katibat) eram mulheres que possuiam conhecimentos caligráficos e de minucidade para copiar exemplares do Corão.
[26] Obra citada (2007), p. 226-233.

O Santuário do Senhor dos Mártires/Alcácer do Sal, em Contexto Islâmico

Versão digital do texto publicado no Boletim da ADPA nº 7, em 2006.

(Actualização 2008)

Cantigas de Santa Maria, de Afonso X de Castela, século XIII.
Iluminura inserida no "Codice de Florença", referente ao "Milagre"ocorrido no Santuário de Nª Sª dos Mártires de Alcácer do Sal.
Iluminura dada a conhecer pela Dr.ª Maria Teresa Lopes, em 2006.


1. Problemática
A investigação que temos vindo a efectuar sobre a presença almóada em Alcácer do Sal, têm permitido identificar um conjunto de aspectos que nos tem autorizado a olhar com outros olhos o final da presença islâmica na nossa cidade.
Foi num trabalho colectivo que apresentamos no Simpósio Internacional sobre Castelos, ocorrido no ano 2000 em Palmela[2], que avançamos pela primeira vez com a hipótese de ter existido uma madraza em Alcácer do Sal.
Nessa altura tratava-se de uma hipótese inovadora, que permitia demonstrar que Qasr al-Fath também teria sido um pólo cultural no Baixo Sado, para além de ter sido a sede de um taghr/fronteira do Império Almoada.
Esta hipótese contrariava uma ideia preconcebida por vários colegas, que atribuía a Alcácer durante esta fase um papel unicamente de base militar habitada por soldados, alguns mercenários e uma população civil de gostos básicos, pouco inclinados a práticas culturais, mas unicamente preocupados em fazerem a guerra contra o território português unicamente para obter saque.
Apesar dos últimos estudos que têm sido produzidos, esta ideia muito básica e redutora sobre uma Alcácer povoada de pessoas pouco inclinadas à cultura ainda se mantêm e porquê?Uma das razões parece ser a ausência nos dicionários compostos na idade média por autores muçulmanos que não referem sábios provenientes da nossa cidade.
Pensamos que uma análise mais critica destas fontes poderão revelar alguns nomes.
Por outro lado existe uma outra questão que tem sido pouco reflectida e que se prende com o impacto da conquista cristã em Alcácer de que todos somos actualmente herdeiros.
Sobre esta problemática, poderemos a título de exemplo citar dois reputados arqueólogos actuais, os Dr.s. Júlio Navarro Palazon e Pedro Jiménez Castillo que analisaram esta problemática em relação à cidade de Múrcia[3]:
“A la dificultad de reconstruir el passado andalusí de Mursia, (ou de outra cidade islâmica como é o caso de Alcácer do Sal) debido a la perdida de información ocasionada por el paso del tiempo, hay que sumar otra de índole muy diferente: nos referimos al fenómeno ideológico de damnatio memoriae, generado por la sociedad conquistadora, y que consistió en eliminar, e incluso borrar, el recuerdo de una Múrcia plenamente islámica de religión, árabe de lengua y culturalmente oriental, ….….Si no se hubiera conservado fuera de Murcia, sobre todo en bibliotecas norteafricanas, un buen número de manuscritos que testimonian la altura a la que se llegó en el campo de la teosofía, de la teología e, incluso, de la mística, la arqueología difícilmente habría podido documentar que en estas tierras se alcanzó y experimentó un conocimiento de Dios que todavía vivifica a amplias corrientes de la espiritualidad musulmana. Tampoco hubiéramos podido deducir de los restos materiales la existencia de esos sufíes cuyo exponente máximo fue Ibn Arabi”.
Esperamos que com os projectos de investigação actualmente em curso, possamos mostrar a verdadeira projecção desta medina na sua época, que pouco depois da conquista definitiva em 1217, foi escolhida para ser a Sede do Ramo Português da Ordem de Santiago.
É nesta nova perspectiva de análise que voltamos a debruçar sobre a problemática, se efectivamente existiu uma madraza em Alcácer do Sal, onde ficaria localizada?:
- Que permite olhar numa nova perspectiva as origens do Santuário do Senhor dos Mártires.
2. O Santuário do Senhor dos Mártires
2.1. Panorama actual
Conjunto monumental impar do património alcacerense, o Santuário do Senhor dos Mártires localiza-se fora das muralhas do castelo de Alcácer do Sal, a meia encosta, e dominando de uma certa altura um troço importante do curso do rio Sado.
Ao lado passa o caminho de terra batida que ia para Setúbal ao longo do estuário e na linha do horizonte é visível a Serra da Arrábida e o Castelo de Palmela.
O santuário visto do terraço da Capela dos Mestres.
Em segundo plano o rio Sado com as suas margens e as florestas ao longe.Por outro lado, o santuário ocupa um lugar de grande importância estratégica.
É visível do castelo de Alcácer, é possível deste ponto vigiar a curva para norte feita pelo rio Sado em direcção ao estuário e é neste sector que desaparece a escarpa de arenito que se desenvolve desde a colina do castelo, dando lugar a um amplo vale que facilita o acesso ao interior.Desde a sua “fundação” em meados do século XIII, tornou-se num espaço de culto mariano, com o nome de Santa Maria dos Mártires e pouco depois foi escolhido pelos Mestres da Ordem de Santiago para repouso eterno.
Espaço sagrado de enorme prestígio, desde cedo lhe foram atribuídos alguns milagres, contudo torna-se Comenda da Ordem de Santiago e guardiã do espaço rural envolvente da cidade de Alcácer, mantendo activo um culto e aproximação do sagrado que chegou aos nossos dias e que urge manter.
Em boa hora o actual executivo camarário, em conjunto com a Irmandade do Senhor dos Mártires e a Associação de Defesa do Património de Alcácer, procederam a um conjunto de acções que permitiram repor a dignidade do monumento e espaço envolvente, com a criação de uma mais valia museológica.
2.2. Algumas questões em aberto
Se não restam dúvidas sobre a importância deste santuário e sobre o culto cristão desde o século XIII, restam contudo um conjunto de questões mal esclarecidas, que também não foram até ao momento objecto de muita reflexão:
- Estamos a referir sobre o porquê de ter sido escolhido este espaço para erguer o santuário, que surge fora de muralhas numa região em guerra e que utiliza para construção do seu núcleo trecentista um potente edifício em alvenaria, numa zona claramente em défice de pedra boa para construção!Vieira da Silva, no seu estudo sobre a “ Capela dos Mestres em Alcácer do Sal ”[4], refere que o edifício situado a poente da cidade testemunha desde o início o aproveitamento que este espaço teve desde tempos remotos: o de necrópole.
De facto a chamada Capela do tesouro, núcleo construído no século XIII, com os seus arcosólios, denuncia desde o seu início a sua função como espaço funerário. Por outro lado avança a hipótese de ter sido este o primeiro edifício construído em Alcácer pelos espatários após a conquista o Arcosólio existente no interior da denominada “ Capela do Tesouro “.
Deve-se a este autor no referido estudo, a hipótese de o santuário ter o nome de “mártires “, em memória dos que tombaram no decurso da conquista cristã de 1217.
Não pondo em causa muitas das conclusões deste investigador com o qual concordamos, verificamos que o autor ignora o passado islâmico de Alcácer e talvez esse facto o impeça de aprofundar as razões que efectivamente terão levado à “ fundação “ deste espaço sagrado.
Pensamos, com base nos dados actualmente disponíveis, que a razão mais plausível para justificar um altíssimo investimento tendo em conta os condicionalismos da época, é de ter existido neste espaço um edifício ulterior em contexto islâmico, que possuía também características de santuário, sendo objecto de devoção profunda da população muçulmana.
A ter existido uma construção nesse período, esta obedeceu a outros estímulos como iremos expor.Para compreendermos a sua génese vamos ter que recuar alguns séculos.
2.3. O edifício islâmico.
Origem e funçõesComo já foi demonstrado pela arqueologia, o terreno onde se situa o Santuário foi destinado a necrópole desde a Idade do Ferro até ao período romano. Desconhecemos até ao momento enterramentos islâmicos no local.Depois da instalação cristã em Alcácer, o espaço foi de novo elevado à condição de necrópole reservado à ordem de Santiago e à nobreza alcacerense.Contudo que função teve durante os 5 séculos de permanência islâmica em al-Qasr?
Ainda pouco ou nada sabemos sobre a cidade romana de Salacia no Baixo Império, contudo documentação arqueológica até ao momento conhecida, apesar de se referir a achados soltos, demonstram claramente uma continuidade de povoamento na actual colina do castelo até à conquista muçulmana.
Os novos senhores, respeitaram os costumes e culto cristão mediante o pagamento de um imposto e talvez esse facto permita a manutenção da necrópole romana do Senhor dos Mártires, transformando-o lentamente num terreno abençoado, de cariz sagrado e livre de ocupação humana.
Numa primeira fase, é provável que os enterramentos islâmicos fossem dentro do recinto amuralhado, contudo a cidade islâmica foi crescendo e face à falta de espaço após o século X, a necrópole passou para a encosta voltada a poente.
Os enterramentos cristãos provavelmente continuaram na área do Senhor dos Mártires, mas ao longo dos séculos, tendo em conta a absorção da população crente cristã no seio da maioria islâmica, começasse a fazer pouco sentido essa pratica.Se os enterramentos cessaram, é provável que o carácter sagrado do espaço fosse perpetuado de geração em geração.
A própria estrutura defensiva alcacerense vai sofrendo alterações ao longo do tempo em fase dos desafios que iam chegando.Se em meados do século IX após os primeiros ataques vikings, a fortaleza de al-Qasr transformada em ribat era suficiente para a defesa da população, alguns séculos depois em meados dos séculos XII e XIII era necessário efectuar uma reforça total dos sistemas defensivos.
Nesses séculos, que também correspondem à anexação de Alcácer aos impérios Magrebinos, dos Almorávidas e dos Almóadas, a presença cristã e Portuguesa era mais forte e aproxima-se dos arredores da Medina Alcacerense.
O sistema defensivo a longa distância mantêm, mas é necessário criar um outro mais próximo da cidade.Os séculos XII e XIII também são séculos férteis em experiências místicas islâmicas, onde a especulação sobre a natureza de Deus, o desígnio do homem e o destino são objecto de estudo e meditação.
Alguns tratados islâmicos são traduzidos em latim e estudados no mundo cristão.A toponímia que sobreviveu até hoje, mostra para a região de Alcácer a existência de lugares onde viveram esses místicos, que procuravam tornar-se “ mártires no caminho de Deus “.Poderemos referir a titulo de exemplo o “ Cerro das Arrábidas “, Freguesia de São Pedro da Marateca, Concelho de Palmela na fronteira com o Concelho de Alcácer e que até ao século XX era um local de festa profana e peregrinação ritual durante a Páscoa.
Face ao exposto, é provável que nessa época tenha sido construído uma rábita (Convento islâmico) no Senhor dos Mártires, que teria uma função de “ jhiad activa “ na defesa do território em caso de ataque, mas que durante o resto do ano estaria dedicado à jhiad mais importante que é a “ passiva”.
Esta “ jhiad passiva ou esforço individual” é praticado na procura de Deus e dos seus propósitos.Nesse sentido, a comunidade religiosa que aí vivia, e com base em documentação referente a outros lugares similares no al-Andalus, cuidava da sua horta, meditava, prestava atenção aos desfavorecidos, dava apoio aos viajantes e dedicava-se ao ensino num espaço mais profano, numa estrutura anexa que poderia ter o nome de “ madraza”.
Dessa presença muçulmana poucos vestígios chegaram até hoje, mas importa valorizar o significado profilático de um alto-relevo islâmico actualmente visível na parede exterior da torre da Igreja do Senhor dos Mártires.
Trata-se de um pentagrama que apresenta um programa decorativo inserido na linguagem simbólica de origem berbere e que podemos encontrar bem representado por exemplo na bandeira que o califa almóada al-Nasir perdeu na batalha de Navas de Tolosa em 1212, quando foi derrotado pelo Rei Castelhano Alfonso VIII.
Na bandeira almóada este símbolo representa o poder e encontra-se dentro de um círculo. Este por sua vez encontra-se ladeado por alguns leões.
A terminar, de referir que no decurso da intervenção arqueológica efectuada no santuário sob a direcção do arqueólogo Cavaleiro Paixão, em conjunto com a Dr.ª esmeralda Gomes e Frederico Tatá, informação que agradecemos, foi encontrado um fragmento de talha estampilhada almóada que reforça a presença tardo islâmica neste espaço.
_________________________
Actualização de 2008:
Este local terá servido de Musalla em contexto Tardo-Islâmico, especialmente em contexto Almoada. Tambem serviria de recinto para treino militar e pedir chuva em anos de seca.
________________________________________
[1] Paixão, Faria e Carvalho, 2000. A Presença Almoada em Alcácer do Sal
[2] Navarro Palazón, Júlio e Jiménez Castillo, Pedro – Religiosidad y creencias en la Múrcia musulmana. Testimonios arqueológicos de una cultura oriental. Huellas. Catedral de Murcia. Catalogo da exposición. Citação retirada das páginas 58 – 59.
[3] José C. Vieira da Silva, 1995. A Capela dos Mestres em Alcácer do Sal, páginas 234-238.

Fragmento de Jarra Esgrafitada de Técnica Mista, encontrada em al-Qasr al-Fath/Alcácer do Sal








1. Introdução
O fragmento em estudo foi encontrado no interior do Castelo de Alcácer do Sal[1], em data que desconhecemos e encontra-se depositada nas reservas do Museu Municipal Pedro Nunes.
Trata-se de uma produção exógena, de provável origem Balear, apresentando uma técnica mista, esgrafitado/corda seca parcial, que segundos os dados disponíveis só aparece em Alcácer do Sal, estando ausente no Garb al-Andalus, nomeadamente em Silves ou Mértola.


2. Jarra.
Número de inventário – 3687.
Fragmento de parede. Apresenta a sua superfície externa coberta por uma técnica mista de esgrafitado em engobe de cor preta, associado a vidrado de cor verde-claro. No engobe preto foi esgrafitado um motivo geométrico, representado o “ cordão da eternidade”. O motivo em corda seca parcial também representa o mesmo tema numa gramática mais solta.
A superfície interna encontra-se coberta por engobe beje. A pasta é de cor avermelhada no seu nucleo e beje junto às superfícies. Contêm e. n. p. de grão fino (quartzo cristalino)
Espessura da parede - Entre 3 mm e 5 mm.
O motivo decorativo identificado, a "Corda da Eternidade", corresponde a uma temática em uso na fase almoada e que foi empregue em peças cerâmicas, nomeadamente nalgumas grandes talhas estampilhadas encontradas em Alcácer ou então em contexto arquitectónico, como é o caso do mihrab da mesquita almoade de Mértola.


3. Breve Comentário
Apesar de os primeiros exemplares de cerâmica esgrafitada no Garb al-Andalus terem sido dadas a conhecer nos anos 80/90 do século passado[2], o panorama actual pouco mudou.Tanto no caso de Silves como em Mértola, os exemplares dados a conhecer correspondem a produções de técnica simples e terão sido produzidos na região de Múrcia/Lorca.
Se aceitarmos os dados actualmente disponíveis, verificamos que cidades portuárias com forte presença almóada, como é o caso de Tavira e Faro, apresentam ausência deste tipo de produção exógena, o mesmo se passando no caso de importantes cidades do interior do Garb, como por exemplo Loulé, Beja ou Marachique/Castro da Cola.Face ao exposto, o conjunto de cerâmicas esgrafitadas exumadas na alcáçova de Alcácer do Sal, onde aparece a técnica simples de esgrafitado e a mista (esgrafitado/corda seca parcial), adquire um valor documental muito interessante.
Se analisarmos detalhadamente as funções que Silves, Mértola ou Alcácer tiveram em contexto almóada, verificamos que estamos em presença de três importantes bases militares que dominaram vastos territórios de fronteira terrestre e marítima.A questão que se levanta neste momento é saber qual a razão se só em Alcácer do Sal aparecerem alguns fragmentos com esgrafitado associado à corda seca parcial, estando ela ausente de Silves ou Mértola?
Segundo Júlio Palazon, os achados de cerâmicas com esta técnica é rara na região de Múrcia[3], mas é abundante na Ilha de Maiorca, num local chamado Carrer de Zavellá, que poderá ter sido um centro produtor.Partindo do pressuposto que os achados de Alcácer foram produzidos na Ilha de Maiorca, que significado têm no contexto Waziri alcacerense?
Será que é mais uma prova que terá existido em Alcácer um ambiente requintado no interior do "palácio" dos Ibn Wazir e que estes teriam a máxima estima do poder central almoada?
Os dados actualmente disponíveis permitem considerar al-Qasr uma base militar importante, que tambem possuia um certo grau de autonomia, que seria tolerado pelo "poder central". Como refer Ibn Khaldun na sua obra " Muqaddima" - Toda a dinastia é mais forte no seu centro do que nas suas fronteiras.Outra questão em aberto prende-se com a datação destes fragmentos, que já em 2001 demos a conhecer no encontro de arqueologia islâmica ocorrido em Cáceres e Lisboa, organizado pelo IPPAR e Região Autónoma da Estremadura.
A cidade de Alcácer do Sal é conquistada pelo Califa Ya´qub al-Mansor em 1191, mas a conquista da ilha de Maiorca pelas tropas califais almóada só acontece em 1203 no reinado de al-Nazir[4].Tendo em conta o carácter de propaganda do aparelho militar e estatal almóada, que deixou reflexos na cerâmica usada no quotidiano e sabendo de antemão que o esgrafitado produzido em Múrcia no emirato Mardanis também tinha uma carga ideológica contrária aos almóadas e favorávida ao Califado dos Abássidas, era de prever que esse tipo de cerâmica tivesse sido marginalizada no al-Andalus.
Contudo os dados arqueológicos mostram claramente que ela foi conhecida e usada em Alcácer, mas aparentemente dentro do palácio/alcáçova, no seio dos Banu Wazir.Apesar da fragilidade dos dados disponíveis, aceitamos que as primeiras cerâmicas de técnica mista terão chegado a Alcácer após a conquista de Maiorca.
Face ao exposto este conjunto encontra-se cronologicamente inserido entre 1202 e 1217 e podem antever uma ligação e interesses mútuos entre as Ilhas Baleares e a zona atlântica de Alcácer, cujo alcance desconhecemos.
Será que se tratam de ligações ulteriores ? Algumas cerâmicas exumadas em Alcácer demonstram uma ligação interessante com a actual Tunisia que remontam a meados do século X, podendo as Ilhas Baleares terem servido de placa giratória...

_______________________________
Bibliografia
GOMES, 2002. Silves (Xelb), uma cidade do Gharb Al-Andalus: A Alcáçova.
Instituto português de Arqueologia.
KENNEDY, H. 1999. Os Muçulmanos na Península Ibérica. Publicações Europa-América.
NAVARRO PALAZON, J. 1986. La cerâmica Esgrafiada Andalusi de Múrcia.Publications de la casa de Velazquez.
PAIXÃO, A Cavaleiro e CARVALHO, A Rafael, 2001. Cerâmicas almóadas de al-Qasr al-Fath (Alcácer do Sal). GARB, Sítios Islâmicos do Sul Peninsular, páginas 199-229.


__________________________________________________________
Notas de Rodapé
[1] Tendo em conta que a totalidade dos fragmentos de cerâmica esgrafitada de Alcácer são provenientes do Convento de Nª senhora de Aracoelli (Dar al Imiara dos Banu Wazir), é provável que este exemplar tenha aí sido recolhido.
[2] Alguns fragmentos exumados em Mértola (Torres, Macias e Gomez) e na Alcáçova do Castelo de Silves (R. V. Gomes e M. V. Gomes).
[3] Provavelmente a zona mais importante, produtora da técnica simples de esgrafitado.
[4] Até 1188 as ilhas baleares estavam inseridas no império almóada. Nesse ano, Abd Allah n. Ghaniya, partidário da herança almorávida, conquista as Ilhas de Maiorca e Minorca, torna-se soberano autónomo, celebrando alianças comerciais com o Reino de Aragão e Génova. Anos mais tarde, em 1200 tentou a conquista de Ibiza, mas fracassou. Em 1202 teve inicio a recuperação califal das ilhas, com a conquista de Minorca pela frota califal comandada pelo sayyid Abu ´l-Ula. Só no ano seguinte foi ordenado o assalto final a Maiorca, sob o comando do mesmo Abu ´l-Ula, acompanhado com o hafecida Abu Sa´id Uthman n. Abi Hafs, num total de 1200 soldados de cavalaria, 700 arqueiros e 15 000 soldados de infantaria (Kennedy, 1999, Os muçulmanos na Península Ibérica, página 278-279)

quarta-feira, setembro 03, 2008

As Musallas (Sari´a) de al-Qasr/Alcácer e de Turrus/Torrão: (1)

Uma Primeira Abordagem à “Geografia Sagrada Tardo-Islâmica” no Alentejo Litoral.[2]


1. Introdução

Quando estudamos numa perspectiva “lata” o urbanismo das medinas islâmicas, centramos quase sempre a nossa análise sobre as mesquitas, as alcáçovas, os sistemas defensivos e as estruturas económicas.
Se a nossa análise privilegiar o estudo das estruturas religiosas, a sua disposição no espaço e o impacto que tiveram no ordenamento urbano, é quase certo que nos esquecemos de referir a existência das
musallas/Sari´a.
Compreendemos porque razão estes espaços permanecem “quase sempre”invisíveis nos estudos sobre o urbanismo de génese islâmica.
A grande totalidade dos investigadores não lhe atribui muita importância, ou então é o “sistemático desconhecimento” que tem prevalecido até hoje!
Basta para isso consultar algumas teses de doutoramento
[3] e artigos que apresentam os novos modelos de evolução das medinas do ocidente do Dar al-Islam (Andalus e Magreb).
Localizadas sempre fora da malha urbana, esteja ela cercada ou não, as musallas correspondem quase sempre a espaços amplos, vazios de construções.
[4].
Nos raros casos em que uma musalla foi “fixada na paisagem envolvente” como construção, a abordagem é quase sempre preliminar, limitam-se a assinalar a sua existência
[5] e pouco mais.
Mas o que é uma musalla e que papel ela teve na organização do espaço urbano em contexto islâmico?
Se seguirmos a bibliografia existente, pouco há a adiantar.
Resumidamente, as musallas correspondiam a espaços amplos, desabitados, sem edificações e que serviam para duas cerimónias, que contavam com a participação de toda a comunidade. Na prática, tinham a função de “praça”, elemento urbano que não existia na medina islâmica. Noutros casos, caso a topografia fosse favorável, serviam para treino militar.
No Alentejo, cada medina teria uma musalla, contudo e até ao momento, só foram identificadas duas: - Em Alcácer e no Torrão.
Os exemplos identificados no nosso Município, obriga-nos a uma reflexão mais demorada.
Não só por existirem estruturas, como a sua existência parecer sugerir que serviriam para algo mais, do que simples musallas !

2. A “Geografia Sagrada”, como Elemento Estruturante na Medina Islâmica.

Na sociedade islâmica, a localização da Ka´ba na “Cidade Santa” de Meca, requisito importante para orientar as orações diárias, não é um mero pormenor de orientação geográfica.
Este facto também condicionava o quotidiano, desde os aspectos mais mundanos até à esfera mais íntima:

-
Por exemplo, as necessidades fisiológicas não podiam ser efectuadas em direcção a Meca.

De notar que tanto as mesquitas, como as musallas, tinham um muro da qibla e um mihrab.
Em termos simbólicos, estes edifícios eram os símbolos mais destacados e visíveis do Islão. Como centros nevrálgicos das comunidades, serviam para a oração, mas também para o ensino, reuniões sociais e eram os cenários privilegiados escolhidos para os acontecimentos políticos e legais, constituindo, segundo Souto,
[6] uma autêntica “marca territorial”, da expressão politica e administrativa do Islão.
Tendo em conta a dificuldade que existia em contexto medieval, para se saber com rigor, a localização geográfica de Meca, era concedida uma certa margem de erro na orientação das mesquitas que eram erguidas. O mesmo se passava com o fiel. Ele podia assumir uma determinada direcção, desde que coincidisse com a assumida pela sua comunidade.
Inicialmente, as mesquitas erguidas no século VIII, no Andaluz e Magreb, eram quase sempre orientadas para sul, seguindo a tradição Síria. De facto a palavra al-Qibla, nome dado ao muro que define a orientação sagrada de uma mesquita ou musalla, significa Sul.
Com o desenvolvimento da astronomia e dos cálculos matemáticos, descobriu-se no decurso do século IX que a orientação sagrada de Meca no Andaluz, coincidia com a orientação das igrejas cristãs, facto que deixou perplexos os muçulmanos e que os colocou perante um dilema de difícil resolução.
Começou a ser aceite que a orientação dos edifícios sagrados, não deveria ser tão rigorosa. O fundamental era criar uma diferenciação em relação à orientação das igrejas cristãs.
Por outro lado, no século IX, após um século de presença islâmica no al-Andalus, já tinham sido erguidas várias mesquitas segundo o modelo sírio.
[7]
Nos casos em que foi possível demolir a mesquita, a nova construção seguiu a orientação obtida pelos astrónomos. Noutros casos, por imposição da comunidade, a mesquita não foi tocada, tendo-se rectificado a orientação do Mihrab. Noutras situações, o edifício inicial foi mantido, sabendo a comunidade que a orientação não estava correcta. Nestes casos o crente podia, dentro da mesquita, voltar-se para a orientação canónica correcta.
Este conjunto de questões, que afectavam o quotidiano das comunidades, levantou problemas que teriam que ser resolvidas.
Como resposta mais pragmática, alguns “sábios” começaram a advogar que qualquer direcção geográfica seria válida, porque o mais importante era rezar. Pelo menos esta era a postura aplicada aos nómadas, aos comerciantes em viagem e aos peregrinos.
A única excepção, seria quando o fiel entrava no círculo geográfico sagrado de Meca. Aí era obrigado a voltar-se para a direcção exacta da Ka´ba, independentemente de conseguir vislumbrar no horizonte, o edifício ou não.


3. O que é uma Musalla/al-Sari´a?

A Musalla que também recebe o nome de al-Sari´a,
[8] corresponde ao espaço, quase sempre livre de construções, que se localiza junto a uma estrutura urbana, mas exterior a ela.
Também pode existir num determinado espaço religioso.
No caso do Ribat de Guardamar, a musalla aí existente, datada do século IX, foi transformada em mesquita no século X, dando origem ao complexo religioso, já em contexto califal.
[9]
Em território português, para além dos exemplos de Alcácer e do Torrão, só temos conhecimento de uma musalla ou al-Sari´a que foi recentemente identificada no Ribat da Arrifana.
Mais uma vez, segundo os autores, estamos perante uma musalla que depois de ser transformada em mesquita no século XII, terá dado origem ao complexo religioso, num percurso semelhante ao observado anteriormente em Guardamar.
Por questões de ordem fonética e topográfica, avançamos a hipótese de o topónimo Enxarrique, que define toponimicamente uma vasta planície de aluviões no lado nascente do Castelo de Silves, possa derivar da palavra al-Sari´a (Exaria/Xaria em Catalão e provavelmente Enxaria em Português). Mais uma vez estamos perante um vasto espaço aberto e junto ao espaço urbano, neste caso de Silves, num modelo que lembra o proposto para a musalla de Alcácer, instalada no actual Santuário Mariano do Senhor dos Mártires.
Em termos de coesão social e de ritualização dos deveres religiosos, as musallas tinham a “função” de “praça”, espaço de articulação urbana sempre ausente nas medinas.
De um modo geral e universal, serviam “unicamente” para a ocorrência de dois festejos anuais, onde era obrigatório, a presença de toda a comunidade:

- O final do Ramadão e o início do Ano Novo Lunar.

Ao longo do ano, o espaço permanecia desabitado e caso a topografia fosse favorável, poderia servir para treinos militares, como no caso de Alcácer, Torrão e provavelmente Silves.

4. A Musalla de Alcácer: Proposta de Localização.

Alcácer, à semelhança das outras medinas do al-Andalus tinha uma musalla.
Como cidade portuária e base militar, o recinto da musalla teria que ser amplo e de certo modo visível do castelo, caso fosse usado para o treino militar. Como complemento, poderia reunir funções de defesa militar, vitais para Alcácer.
O único espaço que reúne todas estas características é o actual “Recinto Sagrado do Senhor dos Mártires”.
Não só pela sua conotação ao sagrado e de natureza militar (existência de mártires, ter sido Panteão da Ordem de Santiago), como pela precocidade da sua génese em contexto cristão imediatamente após a conquista, denunciando a existência de uma “urgência” em captar para a esfera cristã um espaço sagrado muçulmano que fazia parte da geografia sagrada de Alcácer.
Por outro lado, devemos relembrar a existência de uma “Cantiga de Santa Maria”, dada a conhecer no século XIII, por Afonso X, rei de Castela.
[10]
De notar que este vasto recinto “aberto” do “Senhor dos Mártires”, é o único espaço amplo com boas características para treino militar que é observado desde a alcáçova da medina alcacerense, facto que não terá passado desapercebido ao poder militar muçulmano.
O lado nascente da medina, não é dominado pela alcáçova, mas sim pela cintura defensiva existente neste sector do recinto amuralhado. No lado exterior da principal linha defensiva, terá existido uma outra, que descendo até ao rio, comportava-se como albacar.
Tratava-se de um recinto secundário bastante amplo, com baixa densidade de construções e que servia de primeira linha defensiva da cidade, protegendo o porto e dando abrigo aos voluntários da jhiad que não tinham ligações familiares em Alcácer.
Pelos elementos actualmente disponíveis, sabemos que após a conquista definitiva de 1217, as linhas mestras da malha urbana muçulmana foram mantidas, nomeadamente:

- A Alcáçova e Palácio dos Banu Wazir, prontamente transformada em Paço-Sede do Ramo Português da Ordem de Santiago
- A Mesquita da medina, transformada em Igreja de Santa Maria
-O soco, transformado em mercado
- O espaço portuário islâmico que com o passar do tempo vai receber uma malha urbana em desenvolvimento, que vai dar lugar à actual Ribeira de Alcácer, alojando o Poder Camarário desde o século XIV.
- O recinto da Musalla, associada a um Ribat, que após a conquista vai ser anexada aos bens da Ordem de Santiago. O carácter sagrado do espaço que já vinha do período islâmico, vai ser apropriado pelos Espatários, sendo pouco depois transformada em Panteão dos Mestres.


Em relação ao recinto da musalla, tendo sido reconhecido pelos cristãos as suas qualidades estratégicas, parece-nos natural que numa primeira fase, tenha mantido a sua função de “Espaço para Treino Militar”.
Contudo, a peregrinação “popular” ao Santuário de Santa Maria dos Mártires, documentada pouco depois da conquista de 1217 e realçada em termos sobrenaturais por um milagre atribuído à Virgem Santa Maria, parece-nos claro, que é a continuação numa perspectiva ritual cristã, das práticas festivas islâmicas.
Se as mesquitas após a conquista eram “purificadas” e transformadas em igrejas, é natural que determinados festejos islâmicos ocorridos em determinados espaços sagrados, como é o presente caso, também fossem objecto de “purificação”.
Neste caso, terá sido necessário marcar a passagem simbólica de Musalla para Santuário Mariano, adaptando-se o ribat aí existente, ampliando-o de forma a torna-lo adequado para as novas funções litúrgicas.

A terminar, é importante reflectir nos seguintes pontos:

- Se como alguns autores defendem, a igreja de Santa Maria dos Mártires é de génese cristã, porque razão o corpo rectangular da igreja está orientada para uma “pseudo-abside” (que lembra um mihrab) que se direcciona em linha recta para a Musalla do Torrão, distante 27 Km, não sendo visível de Alcácer.(Confirmado pelo Google Earth)
- Tendo em conta o amplo terreno disponível após a conquista, porque razão o corpo da igreja, de planta rectangular, não foi orientado no sentido poente-nascente, como é a norma cristã!, mas sim, mantendo uma orientação sensivelmente sueste, sugerindo a existência de um edifício ulterior?

Todos estes elementos só têm sentido, se aceitarmos a existência neste espaço do Senhor dos Mártires, uma Musalla e um ribat, tendo este ultimo servido de orientador do espaço sagrado neste recinto e que foi mantido pelos cristãos. Estamos perante uma “conquista” de âmbito sagrado, de forma a dar continuidade aos festejos populares que aí tinham lugar.
Sempre achei estranho a ausência
[11] de uma “praça” frente à Igreja de Santa Maria do Castelo, como seria normal existir numa cidade cristã.
Calculamos que a falta de espaço para edificar dentro do recinto amuralhado do castelo de Alcácer, terá sido dramático no decurso do século XIII.
Será que a função de “Praça da Cidade” assumida pela Musalla foi mantida pelos cristãos?
Fica a questão em aberto!
Questões à parte, sabemos por provas documentais, que em contexto Medieval Cristão, o Santuário Mariano dos Mártires, era encarado na época, como elemento fundamental para a defesa sagrada da cidade, associando-se a atalaias espalhadas na linha do horizonte, no alto de colinas, em ambas as margens do Sado.
A perpetuação desta realidade, ficaram fixadas nas memórias populares que chegarão até nós como lendas.
Segundo uma delas, o Senhor dos Mártires está rodeado de “Irmãos”, visíveis entre si, que são nada mais que as referidas atalaias, transformadas em ermidas.

5. A Musalla do Torrão.

Se no exemplo da medina de Alcácer, sede militar desta região do Garb voltado ao Atlântico, é facilmente perceptível porque razão o espaço da musalla localizada no Senhor dos Mártires é grande e carecia de recinto; - mais difícil de entender é sabermos a razão de o Torrão possui a musalla estruturada de grandes dimensões, até ao momento identificado em Portugal e provavelmente na margem norte do Mediterrâneo!

Só é compreensível a existência de um edifício desta dimensão, se forem reunidas pelo menos duas condições:

-
O patrono do imóvel terá sido um grupo ou alguém ligado ao poder político do “Estado muçulmano”
- O castelo do Torrão, terá sido transformado em praça militar de primeira grandeza em território de fronteira, tendo ocorrido algo de “extraordinário” que permitiu criar um pólo importante de peregrinação muçulmana, capaz de atrair voluntários para a “Guerra Santa”.

Estes conjuntos de condições só foram reunidos após 1184.
Após o desastre almóada de Santarém, o exército muçulmano é obrigado a retirar, levando consigo o emir Al-Um´Minim Abu Ya´qub, gravemente ferido.
No caminho de regresso para Sevilha, tratando-se de uma emergência, optam pela estrada de Beja, que passava entre Alcácer e Évora, cidades que nesse ano já estavam debaixo do domínio português.
Segundo o relato islâmico, ficamos a saber que a linha de fronteira incluía o castelo do Torrão em espaço português.
O Torrão foi escolhido pelas tropas almóadas como local de repouso das tropas a pedido dos médicos do emir, na esperança que este recuperasse dos ferimentos.
Como acto de vingança, o castelo do Torrão foi conquistado e a região envolvente foi entregue à pilhagem, levada a cabo por dois grupos de tropas, em busca de viveres.
Entretanto, o estado de saúde do pai de Ya´qub al-Mansur não melhora e é necessário prosseguir o caminho para Sevilha.
As fontes conhecidas, não são claras sobre o lugar preciso da morte do emir almóada, contudo frisam que foi depois da conquista do Torrão e após vários dias de repouso frente ao castelo. Sabemos que a sua morte foi mantida em rigoroso segredo até à chegada a Sevilha, de forma a evitar confrontos militares entre os vários candidatos naturais à chefia do Império Almóada.
Podemos verificar que nesta fase de enorme crise politica, os destinos do poderoso aparelho estatal almóada foram em parte delineados no Torrão e espaço envolvente.
Será provavelmente como memória destes tempos conturbados de indefinição politica que terá sido construído uma grande musalla, de forma a marcar no território de fronteira, a marca do poder militar almóada e sacralizar para memória futura um “fragmento de tempo” que importava não ficar esquecido perante a comunidade islâmica.
Esta necessidade de propaganda ao servido do aparelho estatal magrebino só tem sentido se aceitarmos que o emir almóada Al-Um´Minim Abu Ya´qub, chefe supremo do império muçulmano mais poderoso na época e rival dos Ayyubias do Oriente, tenha falecido no Torrão, dentro da sua tenda, no acampamento que terá sido montado no espaço, onde pouco tempo depois, terá sido construída a musalla.
Estamos a crer que estamos perante a “sacralização de um espaço”, muito ao gosto do programa de reforma religioso dos unitários e que é exemplo único em território Português.
Esta valorização sagrada do território, muito ao gosto do Califa Almoada Ya´Qub al-Mansur,
[12] permitia a valorização do Torrão como espaço “privilegiado” de peregrinação muçulmana, especialmente vocacionada para os voluntários para a “Guerra Santa”, com a vantagem deste castelo estar estrategicamente localizado junto a uma ponte romana e a 1 dia de viagem de Alcácer e frente à cidade de Évora, na posse portuguesa desde 1166.

___________________________________________
Notas

[[1] Uma versão mais completa sobre este tema , ficará disponível em breve no site do Município de Alcácer do Sal, em formato PDF. Carvalho, A Rafael, 2008. A Musalla do Hisn Turrus/Torrão: Leitura Arquitectónica sobre uma Questão em Aberto. Colecção Digital - Elementos para a História do Município de Alcácer do Sal, Nº 2 (II Parte), http://www.cm-alcacerdosal.pt/PT/Actualidade/Publicacoes/Paginas/EstudosdoGabinetedeArqueologia.aspx
[2] Para simplificar o texto, optamos por não fazer a transliteração das palavras árabes.
[3] Mazzoli-Guitard, 2000, Las Ciudad Musulmanas en Espanã e Portugal. e Mónica Rius, 2000, La Alquibla en al-Andalus y al-Magrib al-Aqsa.
[4] A ausência de estruturas que parece ser apanágio da maior parte dos espaços classificados como musallas, parecem desmotivar logo à partida a maior parte dos investigadores.
[5] Guardamar e a Arrifana
[6] Juan Souto, 2004, La Mezquita: definición de un espacio, p. 103.[1] Um bom exemplo é a orientação a sul do primeiro Mihrab da Mesquita do Alto da Queimada, localizada na Serra do Louro, junto do Castelo de Palmela (Cordilheira da Arrábida). (Informação oral de Isabel Cristina Fernandes que agradecemos). Esta orientação Sagrada terá sido definida no século VIII, ainda antes de se saber qual a orientação correcta de Meca. No decurso dos séculos IX/X, o edifício foi mantido, contudo o Mihrab sofreu uma rectificação, orientando-se para sudoeste, de forma a ficar orientado para a posição correcta, que neste caso, apontava para a localização de Alcácer, pelo meio da abertura do vale, entre o morro de Palmela e a serra dos Gaiteiros
[7] Esta denominação, al-Sari´a, entrou na língua Catalã, transformando-se em Exaria ou Xaria. No caso da língua Portuguesa, desconhecemos como se processaria a passagem fonética. O Nome Exarramam dado ao rio Xarrama em documentação portuguesa do século XII, poderá ser alusivo à musalla/Sar´a do Torrão, se aceitar-mos que a palavra deriva da expressão árabe al-Sari´a al-Yami (A Musalla Principal), que adaptado para a fonética do português, teria um som semelhante a exaria-a-rrami!
[8] Calvo, 2004, Las Mezquitas de pequeñas ciudades y núcleos rurales de al-Andalus, p. 54.
[9] Gomes e Gomes, 2007, Ambiente natural e complexo edificado, p. 54
[10] Sobre esta questão, ver, CARVALHO, A Rafael (2006) O SANTUÁRIO DO SENHOR DOS MÁRTIRES EM CONTEXTO ISLÂMICO: Alguns elementos para o seu estudo. Neptuno, nº 7, página 4 - 6 ADPA e CARVALHO, A Rafael (2006) A REPRESENTAÇÃO ICONOGRÁFICA DO SENHOR DOS MÁRTIRES E ALCÁCER DO SAL NO SÉCULO XIII. Neptuno, nº 8, página 6-9 ADPA.
[11] Documentada em termos arqueológicos.
[12] Quase todas de herança muçulmana.
[13] Que terá sido provavelmente o “Patrono da Obra”
_____________________________________
Bibliografia

CARVALHO, A Rafael (2005). ALCÁCER DO SAL ENTRE 1191 E 1217 (I PARTE) Neptuno, nº 3, página. ADPA.

CARVALHO, A Rafael (2005) ALCÁCER DO SAL ENTRE 1191 E 1217 (II PARTE): O Papel do Hisn Turrus/Castelo do Torrão, no sistema defensivo Alcacerense. Neptuno, nº 5, página 5 - 7. ADPA.
Versão digital – (2006) O PAPEL DO HISN TURRUS/CASTELO DO TORRÃO, NO SISTEMA DEFENSIVO ALCACERENSE http://arqueo-alcacer. blogspot.com. (Consultado em 08-06-2007)
CARVALHO, A Rafael (2005) ALCÁCER DO SAL ENTRE 1191 E 1217: Os dias em que al-Qasr al-Fath foi sede do império Almóada. Neptuno, nº 6, página 12 - 13. ADPA.

CARVALHO, A Rafael (2006) O SANTUÁRIO DO SENHOR DOS MÁRTIRES EM CONTEXTO ISLÂMICO: Alguns elementos para o seu estudo. Neptuno, nº 7, página 4 - 6 ADPA.
CARVALHO, A Rafael (2006) A REPRESENTAÇÃO ICONOGRÁFICA DO SENHOR DOS MÁRTIRES E ALCÁCER DO SAL NO SÉCULO XIII. Neptuno, nº 8, página 6-9 ADPA.

sábado, agosto 30, 2008

As Musallas (Sari´a) de al-Qasr/Alcácer e de Turrus/Torrão: Leitura Cartográfica