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quinta-feira, junho 18, 2009

Alcácer do Sal na segunda metade do século XII


http://www.cm-alcacerdosal.pt/PT/Actualidade/Publicacoes/Paginas/EstudosdoGabinetedeArqueologia.aspx

quarta-feira, outubro 15, 2008

Uma Maneira Diferente de Analisar a Campanha de Ya´Qub al-Mansur na Arrábida em 1191.

domingo, outubro 05, 2008

O Santuário do Senhor dos Mártires/Alcácer do Sal, em Contexto Islâmico

Versão digital do texto publicado no Boletim da ADPA nº 7, em 2006.

(Actualização 2008)

Cantigas de Santa Maria, de Afonso X de Castela, século XIII.
Iluminura inserida no "Codice de Florença", referente ao "Milagre"ocorrido no Santuário de Nª Sª dos Mártires de Alcácer do Sal.
Iluminura dada a conhecer pela Dr.ª Maria Teresa Lopes, em 2006.


1. Problemática
A investigação que temos vindo a efectuar sobre a presença almóada em Alcácer do Sal, têm permitido identificar um conjunto de aspectos que nos tem autorizado a olhar com outros olhos o final da presença islâmica na nossa cidade.
Foi num trabalho colectivo que apresentamos no Simpósio Internacional sobre Castelos, ocorrido no ano 2000 em Palmela[2], que avançamos pela primeira vez com a hipótese de ter existido uma madraza em Alcácer do Sal.
Nessa altura tratava-se de uma hipótese inovadora, que permitia demonstrar que Qasr al-Fath também teria sido um pólo cultural no Baixo Sado, para além de ter sido a sede de um taghr/fronteira do Império Almoada.
Esta hipótese contrariava uma ideia preconcebida por vários colegas, que atribuía a Alcácer durante esta fase um papel unicamente de base militar habitada por soldados, alguns mercenários e uma população civil de gostos básicos, pouco inclinados a práticas culturais, mas unicamente preocupados em fazerem a guerra contra o território português unicamente para obter saque.
Apesar dos últimos estudos que têm sido produzidos, esta ideia muito básica e redutora sobre uma Alcácer povoada de pessoas pouco inclinadas à cultura ainda se mantêm e porquê?Uma das razões parece ser a ausência nos dicionários compostos na idade média por autores muçulmanos que não referem sábios provenientes da nossa cidade.
Pensamos que uma análise mais critica destas fontes poderão revelar alguns nomes.
Por outro lado existe uma outra questão que tem sido pouco reflectida e que se prende com o impacto da conquista cristã em Alcácer de que todos somos actualmente herdeiros.
Sobre esta problemática, poderemos a título de exemplo citar dois reputados arqueólogos actuais, os Dr.s. Júlio Navarro Palazon e Pedro Jiménez Castillo que analisaram esta problemática em relação à cidade de Múrcia[3]:
“A la dificultad de reconstruir el passado andalusí de Mursia, (ou de outra cidade islâmica como é o caso de Alcácer do Sal) debido a la perdida de información ocasionada por el paso del tiempo, hay que sumar otra de índole muy diferente: nos referimos al fenómeno ideológico de damnatio memoriae, generado por la sociedad conquistadora, y que consistió en eliminar, e incluso borrar, el recuerdo de una Múrcia plenamente islámica de religión, árabe de lengua y culturalmente oriental, ….….Si no se hubiera conservado fuera de Murcia, sobre todo en bibliotecas norteafricanas, un buen número de manuscritos que testimonian la altura a la que se llegó en el campo de la teosofía, de la teología e, incluso, de la mística, la arqueología difícilmente habría podido documentar que en estas tierras se alcanzó y experimentó un conocimiento de Dios que todavía vivifica a amplias corrientes de la espiritualidad musulmana. Tampoco hubiéramos podido deducir de los restos materiales la existencia de esos sufíes cuyo exponente máximo fue Ibn Arabi”.
Esperamos que com os projectos de investigação actualmente em curso, possamos mostrar a verdadeira projecção desta medina na sua época, que pouco depois da conquista definitiva em 1217, foi escolhida para ser a Sede do Ramo Português da Ordem de Santiago.
É nesta nova perspectiva de análise que voltamos a debruçar sobre a problemática, se efectivamente existiu uma madraza em Alcácer do Sal, onde ficaria localizada?:
- Que permite olhar numa nova perspectiva as origens do Santuário do Senhor dos Mártires.
2. O Santuário do Senhor dos Mártires
2.1. Panorama actual
Conjunto monumental impar do património alcacerense, o Santuário do Senhor dos Mártires localiza-se fora das muralhas do castelo de Alcácer do Sal, a meia encosta, e dominando de uma certa altura um troço importante do curso do rio Sado.
Ao lado passa o caminho de terra batida que ia para Setúbal ao longo do estuário e na linha do horizonte é visível a Serra da Arrábida e o Castelo de Palmela.
O santuário visto do terraço da Capela dos Mestres.
Em segundo plano o rio Sado com as suas margens e as florestas ao longe.Por outro lado, o santuário ocupa um lugar de grande importância estratégica.
É visível do castelo de Alcácer, é possível deste ponto vigiar a curva para norte feita pelo rio Sado em direcção ao estuário e é neste sector que desaparece a escarpa de arenito que se desenvolve desde a colina do castelo, dando lugar a um amplo vale que facilita o acesso ao interior.Desde a sua “fundação” em meados do século XIII, tornou-se num espaço de culto mariano, com o nome de Santa Maria dos Mártires e pouco depois foi escolhido pelos Mestres da Ordem de Santiago para repouso eterno.
Espaço sagrado de enorme prestígio, desde cedo lhe foram atribuídos alguns milagres, contudo torna-se Comenda da Ordem de Santiago e guardiã do espaço rural envolvente da cidade de Alcácer, mantendo activo um culto e aproximação do sagrado que chegou aos nossos dias e que urge manter.
Em boa hora o actual executivo camarário, em conjunto com a Irmandade do Senhor dos Mártires e a Associação de Defesa do Património de Alcácer, procederam a um conjunto de acções que permitiram repor a dignidade do monumento e espaço envolvente, com a criação de uma mais valia museológica.
2.2. Algumas questões em aberto
Se não restam dúvidas sobre a importância deste santuário e sobre o culto cristão desde o século XIII, restam contudo um conjunto de questões mal esclarecidas, que também não foram até ao momento objecto de muita reflexão:
- Estamos a referir sobre o porquê de ter sido escolhido este espaço para erguer o santuário, que surge fora de muralhas numa região em guerra e que utiliza para construção do seu núcleo trecentista um potente edifício em alvenaria, numa zona claramente em défice de pedra boa para construção!Vieira da Silva, no seu estudo sobre a “ Capela dos Mestres em Alcácer do Sal ”[4], refere que o edifício situado a poente da cidade testemunha desde o início o aproveitamento que este espaço teve desde tempos remotos: o de necrópole.
De facto a chamada Capela do tesouro, núcleo construído no século XIII, com os seus arcosólios, denuncia desde o seu início a sua função como espaço funerário. Por outro lado avança a hipótese de ter sido este o primeiro edifício construído em Alcácer pelos espatários após a conquista o Arcosólio existente no interior da denominada “ Capela do Tesouro “.
Deve-se a este autor no referido estudo, a hipótese de o santuário ter o nome de “mártires “, em memória dos que tombaram no decurso da conquista cristã de 1217.
Não pondo em causa muitas das conclusões deste investigador com o qual concordamos, verificamos que o autor ignora o passado islâmico de Alcácer e talvez esse facto o impeça de aprofundar as razões que efectivamente terão levado à “ fundação “ deste espaço sagrado.
Pensamos, com base nos dados actualmente disponíveis, que a razão mais plausível para justificar um altíssimo investimento tendo em conta os condicionalismos da época, é de ter existido neste espaço um edifício ulterior em contexto islâmico, que possuía também características de santuário, sendo objecto de devoção profunda da população muçulmana.
A ter existido uma construção nesse período, esta obedeceu a outros estímulos como iremos expor.Para compreendermos a sua génese vamos ter que recuar alguns séculos.
2.3. O edifício islâmico.
Origem e funçõesComo já foi demonstrado pela arqueologia, o terreno onde se situa o Santuário foi destinado a necrópole desde a Idade do Ferro até ao período romano. Desconhecemos até ao momento enterramentos islâmicos no local.Depois da instalação cristã em Alcácer, o espaço foi de novo elevado à condição de necrópole reservado à ordem de Santiago e à nobreza alcacerense.Contudo que função teve durante os 5 séculos de permanência islâmica em al-Qasr?
Ainda pouco ou nada sabemos sobre a cidade romana de Salacia no Baixo Império, contudo documentação arqueológica até ao momento conhecida, apesar de se referir a achados soltos, demonstram claramente uma continuidade de povoamento na actual colina do castelo até à conquista muçulmana.
Os novos senhores, respeitaram os costumes e culto cristão mediante o pagamento de um imposto e talvez esse facto permita a manutenção da necrópole romana do Senhor dos Mártires, transformando-o lentamente num terreno abençoado, de cariz sagrado e livre de ocupação humana.
Numa primeira fase, é provável que os enterramentos islâmicos fossem dentro do recinto amuralhado, contudo a cidade islâmica foi crescendo e face à falta de espaço após o século X, a necrópole passou para a encosta voltada a poente.
Os enterramentos cristãos provavelmente continuaram na área do Senhor dos Mártires, mas ao longo dos séculos, tendo em conta a absorção da população crente cristã no seio da maioria islâmica, começasse a fazer pouco sentido essa pratica.Se os enterramentos cessaram, é provável que o carácter sagrado do espaço fosse perpetuado de geração em geração.
A própria estrutura defensiva alcacerense vai sofrendo alterações ao longo do tempo em fase dos desafios que iam chegando.Se em meados do século IX após os primeiros ataques vikings, a fortaleza de al-Qasr transformada em ribat era suficiente para a defesa da população, alguns séculos depois em meados dos séculos XII e XIII era necessário efectuar uma reforça total dos sistemas defensivos.
Nesses séculos, que também correspondem à anexação de Alcácer aos impérios Magrebinos, dos Almorávidas e dos Almóadas, a presença cristã e Portuguesa era mais forte e aproxima-se dos arredores da Medina Alcacerense.
O sistema defensivo a longa distância mantêm, mas é necessário criar um outro mais próximo da cidade.Os séculos XII e XIII também são séculos férteis em experiências místicas islâmicas, onde a especulação sobre a natureza de Deus, o desígnio do homem e o destino são objecto de estudo e meditação.
Alguns tratados islâmicos são traduzidos em latim e estudados no mundo cristão.A toponímia que sobreviveu até hoje, mostra para a região de Alcácer a existência de lugares onde viveram esses místicos, que procuravam tornar-se “ mártires no caminho de Deus “.Poderemos referir a titulo de exemplo o “ Cerro das Arrábidas “, Freguesia de São Pedro da Marateca, Concelho de Palmela na fronteira com o Concelho de Alcácer e que até ao século XX era um local de festa profana e peregrinação ritual durante a Páscoa.
Face ao exposto, é provável que nessa época tenha sido construído uma rábita (Convento islâmico) no Senhor dos Mártires, que teria uma função de “ jhiad activa “ na defesa do território em caso de ataque, mas que durante o resto do ano estaria dedicado à jhiad mais importante que é a “ passiva”.
Esta “ jhiad passiva ou esforço individual” é praticado na procura de Deus e dos seus propósitos.Nesse sentido, a comunidade religiosa que aí vivia, e com base em documentação referente a outros lugares similares no al-Andalus, cuidava da sua horta, meditava, prestava atenção aos desfavorecidos, dava apoio aos viajantes e dedicava-se ao ensino num espaço mais profano, numa estrutura anexa que poderia ter o nome de “ madraza”.
Dessa presença muçulmana poucos vestígios chegaram até hoje, mas importa valorizar o significado profilático de um alto-relevo islâmico actualmente visível na parede exterior da torre da Igreja do Senhor dos Mártires.
Trata-se de um pentagrama que apresenta um programa decorativo inserido na linguagem simbólica de origem berbere e que podemos encontrar bem representado por exemplo na bandeira que o califa almóada al-Nasir perdeu na batalha de Navas de Tolosa em 1212, quando foi derrotado pelo Rei Castelhano Alfonso VIII.
Na bandeira almóada este símbolo representa o poder e encontra-se dentro de um círculo. Este por sua vez encontra-se ladeado por alguns leões.
A terminar, de referir que no decurso da intervenção arqueológica efectuada no santuário sob a direcção do arqueólogo Cavaleiro Paixão, em conjunto com a Dr.ª esmeralda Gomes e Frederico Tatá, informação que agradecemos, foi encontrado um fragmento de talha estampilhada almóada que reforça a presença tardo islâmica neste espaço.
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Actualização de 2008:
Este local terá servido de Musalla em contexto Tardo-Islâmico, especialmente em contexto Almoada. Tambem serviria de recinto para treino militar e pedir chuva em anos de seca.
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[1] Paixão, Faria e Carvalho, 2000. A Presença Almoada em Alcácer do Sal
[2] Navarro Palazón, Júlio e Jiménez Castillo, Pedro – Religiosidad y creencias en la Múrcia musulmana. Testimonios arqueológicos de una cultura oriental. Huellas. Catedral de Murcia. Catalogo da exposición. Citação retirada das páginas 58 – 59.
[3] José C. Vieira da Silva, 1995. A Capela dos Mestres em Alcácer do Sal, páginas 234-238.

Fragmento de Jarra Esgrafitada de Técnica Mista, encontrada em al-Qasr al-Fath/Alcácer do Sal








1. Introdução
O fragmento em estudo foi encontrado no interior do Castelo de Alcácer do Sal[1], em data que desconhecemos e encontra-se depositada nas reservas do Museu Municipal Pedro Nunes.
Trata-se de uma produção exógena, de provável origem Balear, apresentando uma técnica mista, esgrafitado/corda seca parcial, que segundos os dados disponíveis só aparece em Alcácer do Sal, estando ausente no Garb al-Andalus, nomeadamente em Silves ou Mértola.


2. Jarra.
Número de inventário – 3687.
Fragmento de parede. Apresenta a sua superfície externa coberta por uma técnica mista de esgrafitado em engobe de cor preta, associado a vidrado de cor verde-claro. No engobe preto foi esgrafitado um motivo geométrico, representado o “ cordão da eternidade”. O motivo em corda seca parcial também representa o mesmo tema numa gramática mais solta.
A superfície interna encontra-se coberta por engobe beje. A pasta é de cor avermelhada no seu nucleo e beje junto às superfícies. Contêm e. n. p. de grão fino (quartzo cristalino)
Espessura da parede - Entre 3 mm e 5 mm.
O motivo decorativo identificado, a "Corda da Eternidade", corresponde a uma temática em uso na fase almoada e que foi empregue em peças cerâmicas, nomeadamente nalgumas grandes talhas estampilhadas encontradas em Alcácer ou então em contexto arquitectónico, como é o caso do mihrab da mesquita almoade de Mértola.


3. Breve Comentário
Apesar de os primeiros exemplares de cerâmica esgrafitada no Garb al-Andalus terem sido dadas a conhecer nos anos 80/90 do século passado[2], o panorama actual pouco mudou.Tanto no caso de Silves como em Mértola, os exemplares dados a conhecer correspondem a produções de técnica simples e terão sido produzidos na região de Múrcia/Lorca.
Se aceitarmos os dados actualmente disponíveis, verificamos que cidades portuárias com forte presença almóada, como é o caso de Tavira e Faro, apresentam ausência deste tipo de produção exógena, o mesmo se passando no caso de importantes cidades do interior do Garb, como por exemplo Loulé, Beja ou Marachique/Castro da Cola.Face ao exposto, o conjunto de cerâmicas esgrafitadas exumadas na alcáçova de Alcácer do Sal, onde aparece a técnica simples de esgrafitado e a mista (esgrafitado/corda seca parcial), adquire um valor documental muito interessante.
Se analisarmos detalhadamente as funções que Silves, Mértola ou Alcácer tiveram em contexto almóada, verificamos que estamos em presença de três importantes bases militares que dominaram vastos territórios de fronteira terrestre e marítima.A questão que se levanta neste momento é saber qual a razão se só em Alcácer do Sal aparecerem alguns fragmentos com esgrafitado associado à corda seca parcial, estando ela ausente de Silves ou Mértola?
Segundo Júlio Palazon, os achados de cerâmicas com esta técnica é rara na região de Múrcia[3], mas é abundante na Ilha de Maiorca, num local chamado Carrer de Zavellá, que poderá ter sido um centro produtor.Partindo do pressuposto que os achados de Alcácer foram produzidos na Ilha de Maiorca, que significado têm no contexto Waziri alcacerense?
Será que é mais uma prova que terá existido em Alcácer um ambiente requintado no interior do "palácio" dos Ibn Wazir e que estes teriam a máxima estima do poder central almoada?
Os dados actualmente disponíveis permitem considerar al-Qasr uma base militar importante, que tambem possuia um certo grau de autonomia, que seria tolerado pelo "poder central". Como refer Ibn Khaldun na sua obra " Muqaddima" - Toda a dinastia é mais forte no seu centro do que nas suas fronteiras.Outra questão em aberto prende-se com a datação destes fragmentos, que já em 2001 demos a conhecer no encontro de arqueologia islâmica ocorrido em Cáceres e Lisboa, organizado pelo IPPAR e Região Autónoma da Estremadura.
A cidade de Alcácer do Sal é conquistada pelo Califa Ya´qub al-Mansor em 1191, mas a conquista da ilha de Maiorca pelas tropas califais almóada só acontece em 1203 no reinado de al-Nazir[4].Tendo em conta o carácter de propaganda do aparelho militar e estatal almóada, que deixou reflexos na cerâmica usada no quotidiano e sabendo de antemão que o esgrafitado produzido em Múrcia no emirato Mardanis também tinha uma carga ideológica contrária aos almóadas e favorávida ao Califado dos Abássidas, era de prever que esse tipo de cerâmica tivesse sido marginalizada no al-Andalus.
Contudo os dados arqueológicos mostram claramente que ela foi conhecida e usada em Alcácer, mas aparentemente dentro do palácio/alcáçova, no seio dos Banu Wazir.Apesar da fragilidade dos dados disponíveis, aceitamos que as primeiras cerâmicas de técnica mista terão chegado a Alcácer após a conquista de Maiorca.
Face ao exposto este conjunto encontra-se cronologicamente inserido entre 1202 e 1217 e podem antever uma ligação e interesses mútuos entre as Ilhas Baleares e a zona atlântica de Alcácer, cujo alcance desconhecemos.
Será que se tratam de ligações ulteriores ? Algumas cerâmicas exumadas em Alcácer demonstram uma ligação interessante com a actual Tunisia que remontam a meados do século X, podendo as Ilhas Baleares terem servido de placa giratória...

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Bibliografia
GOMES, 2002. Silves (Xelb), uma cidade do Gharb Al-Andalus: A Alcáçova.
Instituto português de Arqueologia.
KENNEDY, H. 1999. Os Muçulmanos na Península Ibérica. Publicações Europa-América.
NAVARRO PALAZON, J. 1986. La cerâmica Esgrafiada Andalusi de Múrcia.Publications de la casa de Velazquez.
PAIXÃO, A Cavaleiro e CARVALHO, A Rafael, 2001. Cerâmicas almóadas de al-Qasr al-Fath (Alcácer do Sal). GARB, Sítios Islâmicos do Sul Peninsular, páginas 199-229.


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Notas de Rodapé
[1] Tendo em conta que a totalidade dos fragmentos de cerâmica esgrafitada de Alcácer são provenientes do Convento de Nª senhora de Aracoelli (Dar al Imiara dos Banu Wazir), é provável que este exemplar tenha aí sido recolhido.
[2] Alguns fragmentos exumados em Mértola (Torres, Macias e Gomez) e na Alcáçova do Castelo de Silves (R. V. Gomes e M. V. Gomes).
[3] Provavelmente a zona mais importante, produtora da técnica simples de esgrafitado.
[4] Até 1188 as ilhas baleares estavam inseridas no império almóada. Nesse ano, Abd Allah n. Ghaniya, partidário da herança almorávida, conquista as Ilhas de Maiorca e Minorca, torna-se soberano autónomo, celebrando alianças comerciais com o Reino de Aragão e Génova. Anos mais tarde, em 1200 tentou a conquista de Ibiza, mas fracassou. Em 1202 teve inicio a recuperação califal das ilhas, com a conquista de Minorca pela frota califal comandada pelo sayyid Abu ´l-Ula. Só no ano seguinte foi ordenado o assalto final a Maiorca, sob o comando do mesmo Abu ´l-Ula, acompanhado com o hafecida Abu Sa´id Uthman n. Abi Hafs, num total de 1200 soldados de cavalaria, 700 arqueiros e 15 000 soldados de infantaria (Kennedy, 1999, Os muçulmanos na Península Ibérica, página 278-279)